Ensaios

21/04/2015

Seja Smart, de preferência Forfour

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Este foi um dos carros mais aguardados por nós em 2014 e devemos dizer que superou as expectativas, em todos os sentidos, mesmo após termos testado o primo Twingo, que já tinha elevado a fasquia para planos estratosféricos.

Antes de partirmos para a aventura, vamos enquadrar o automóvel. O Smart fortwo teve um parto difícil, mas hoje em dia é um ícone do mundo automóvel, é dono e senhor de uma classe só sua, que ninguém nunca ousou copiar. Mas o seu carisma ultrapassa o mundo automóvel, vaza a sua influência para o mundo do design e da moda. Fazer melhor é difícil, mas a Smart tem sido esperta, ou não fosse esse o seu nome, e geração após geração (vai na terceira) tem sabido adaptar-se ao passar do tempo. Melhor dizendo, tem sabido ditar tendências e nunca desiludiu os seus fãs e cada vez são mais os seguidores.

Nunca desiludiu os fãs, não é bem assim, em 2004 lançou a primeira geração de um citadino com 5 lugares e 5 portas. O problema é que se baseou demasiado no Mitsubishi Colt, perdendo todo o elan da versão de 2 lugares. As vendas abaixo das expectativas foram inevitáveis, embora no nosso país o cenário tenha sido inverso, tendo chegado a perto de 4 mil unidades por ano (ambos os modelos, Fortwo e Forfour). A justificação adiantada pela Daimler aconteceu que em França, Itália e Espanha os players locais (leia-se Renault, Peugeot Citroen, Fiat e Seat) dominavam o mercado.

Portanto, num segmento tão aguerrido e com as margens de vendas espremidas ao máximo, a Smart não foi esperta. Para vingar teria que lançar um produto original, tal com o tinha feito com o ForTwo. Mais um carro, mais caro, não fez sentido. Não basta pintar um colt com as cores típicas de um Smart… É redutor afirmar isto, muito redutor, mas foi o que passou pela mente da larga maioria dos potenciais compradores.

Demorou 8 anos para recuperar do trauma, mas felizmente em 2014 o Forfour renasceu e desta vez a justificar não só o nome, como o compasso de espera. Tinha que ser bem feito e foi.

A primeira noticia chocou, partilharia os custos de desenvolvimento e plataforma com o menos nobre Renault Twingo. Mas para alivio de todos, é o Twingo a seguir as pisadas do Smart e não o contrário, como na primeira geração. A lição foi aprendida, a Mercedes teve a humildade de o admitir e em boa hora o fez.

Claro que ter dois produtos similares rouba a exclusividade que ter um produto absolutamente original oferece, como acontece com o Fortwo, mas racionalmente, para um gestor, é o que faz sentido. E as diferenças são mais do que entre Forfour e Colt. Mas dizermos que apenas são de cosméticas as diferenças entre Twingo e Forfour, como nos veículos mencionados é menosprezar tudo o empenho e trabalho que a Mercedes desenvolveu no Smart Forfour. Os carros são diferentes e diferentes na verdadeira acepção da palavra.

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O Twingo procurou inspiração no Renault 5 da década de 70 e assim distanciou-se do Smart. Apesar de ambos terem motor traseiro e frente reduzida, a plataforma a isso obriga, tudo o resto é diferente. Principalmente a sensação que cada um liberta no seu interior. No Forfour é inegável que estamos dentro de um Smart, no Twingo é inegável que não estamos dentro de um Smart, nem de um Renault. Tal como no Twingo da primeira geração, algo que se tinha perdido no de segunda geração.

Apesar de apenas mil euros separarem Forfour de Fortwo, e fazer tudo o sentido optar pelo Forfour, o Fortwo deverá ter mais sucesso. A primeira razão é a tradição no segmento, a segunda é a exclusividade e a terceira é que o Forfour tem uma concorrência aguerrida que não tem descansado e tem apresentado bons produtos. Como o VW Up, o Hyundai i10 e os trigémeos C1, 108 e Aygo. Para não mencionar o Twingo.

Em relação ao carro em si e tal como no Twingo testado em Dezembro, existem vários pormenores a mencionar. O primeiro é a colocação do motor atrás, com rodas traseiras motrizes, tal como um bom Smart deve ser. E isso não coloca nenhuma estranheza na condução. Devido a esta configuração ganha a bagageira e o espaço para os ocupantes. O Smart é tão desafogado, algo que é ampliado pelas cores do habitáculo (branco e azul claro) que a sensação é que vamos num carro do segmento acima, nem os ocupantes traseiros sentem claustrofobia.

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Delicioso, delicioso, outra vantagem da plataforma, é o raio de viragem do Smart. Não precisa de espaço nenhum para fazer inversão de marcha, julgo que seria possível inverter a marcha numa lata de sardinha, cheia. Mais citadino? Impossível.

Quais os pontos, não diria negativos, mas antes, menos positivos. Causa estranheza, mas foi só a mim, o facto de não haver uma depressão entre a altura da porta e o apoio dos pés, como em todos os carros. julgo que isso se deve ao facto de a Smart pensar numa versão eléctrica e da necessidade de alojar as baterias no piso. Portanto, até é positivo.

Outra questão prende-se com a abertura pouco ortodoxa do capot da frente para aceder à bateria e os diversos líquidos. Mas como é uma manobra a executar poucas vezes, perdoa-se o mecanismo. Poderia ter sido aproveitada para colocar pequenos sacos de compra se melhor aproveitada. Mas o facto de ser tão curta (a frente), ajuda nas manobras.

Uma característica que notei no Smart e não no Twingo foi um certa tendência para adornar. Aliás o Twingo, por ter um motor mais potente, 90 contra 70 cv, e por ter um suspensão mais firme, tem um tendência mais desportiva que o Forfour. Mas isso é ultrapassável pela versão 90 cv do Smart. E mais 2 mil e poucos euros entre versões. Curioso é que era expectável que o Smart fosse mais caro que o Twingo e ninguém levava a mal isso, mas não, e isso é positivo, muito positivo.

Concluindo: Se eu estivesse comprador de um carro deste segmento, neste momento não teria duvidas, Smart Forfour e nem sequer ficava com problemas de consciência. E isto diz tudo. Portanto, prepare 12 mil euros.






 
 

 

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